Como as linhas de montagem de hoje e do futuro conseguem dar a devida atenção à ergonomia, sem perder de vista a eficiência da produção? Esses objetivos são mutuamente exclusivos ou podem caminhar lado a lado?
Momentum Talks é uma série sobre Fábricas Inteligentes. Neste episódio, nosso painel de especialistas explora a essência da ergonomia na manufatura industrial. Eles destacam uma ideia central: é o trabalho que deve se adaptar ao ser humano, e não o contrário. Assista ao episódio completo abaixo ou leia nosso resumo do Momentum Talks e confira os destaques!
Os Momentum Talks são apresentados por Amanda Teir. Os convidados deste episódio são:
- Maciej Zdrodowski, Arquiteto de Ergonomia, Volvo Cars
- Frida Graf, Especialista Sênior em Ergonomia. Atlas Copco
- Cecilia Berlin, Professora Associada, Universidade de Chalmers
Trazendo uma visão holística sobre a ergonomia
Como Cecilia ressalta, “a manufatura está em constante evolução”, e com essa evolução surge um fluxo contínuo de novas tecnologias voltadas a melhorar a experiência do operador. No entanto, a cada inovação, é fundamental avaliar como os operadores interagem com a tecnologia e como são impactados por ela. Por isso, interface e experiência do usuário devem ter um papel central no design. Ergonomia vai além do conforto físico: envolve uma perspectiva mais ampla do bem-estar humano, incluindo fatores tanto cognitivos quanto físicos.
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Cobots e tecnologia vestível (wearable)
Tecnologias vestíveis e robôs colaborativos estão abrindo novas possibilidades no campo da ergonomia. Dispositivos que monitoram a postura, sinais fisiológicos como frequência cardíaca e temperatura, ou que oferecem suporte ao corpo por meio de exoesqueletos, estão se tornando cada vez mais comuns no chão de fábrica. Essas ferramentas ajudam a compreender melhor como o trabalho impacta os operadores, tanto fisicamente quanto cognitivamente. Os cobots, ou robôs colaborativos, também desempenham um papel importante ao assumir tarefas monótonas, sujas e perigosas, reduzindo o esforço físico e permitindo que os humanos se concentrem em atividades menos repetitivas e de maior valor agregado. Dessa forma, a ergonomia vai além do conforto: torna-se um meio de ampliar a capacidade humana em ambientes exigentes.
Mas, para projetar de fato o bem-estar do operador, é preciso entender o que as pessoas estão vivenciando. Como Maciej afirma, “Dados são o novo ouro da indústria”, e coletar informações sobre condições ergonômicas é essencial para saber onde focar, como melhorar e o que priorizar, tanto no desenvolvimento de ferramentas quanto no desenho dos fluxos de trabalho. É claro que apenas ter os dados não basta. Eles precisam ser apresentados de forma clara e acionável, o que envolve criar interfaces intuitivas e treinar as pessoas não apenas em como usar a tecnologia, mas também em como interpretar as informações recebidas. Se o propósito não estiver claro ou as ferramentas forem percebidas como intrusivas, os operadores podem ignorá-las ou criar soluções alternativas, comprometendo o valor que elas deveriam gerar.
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Um investimento, não um custo
Adotar uma visão de longo prazo é essencial ao justificar o investimento em ergonomia. Com mudanças demográficas, incluindo uma força de trabalho envelhecida e esforços para tornar a manufatura mais inclusiva para mulheres, investir em ergonomia deixa de ser apenas um custo e se torna um investimento nas pessoas, na tecnologia e em condições de trabalho mais seguras e sustentáveis. Ao considerar todos os elementos da equação, as empresas colhem benefícios como maior qualidade de produção, colaboradores mais engajados e redução dos riscos de acidentes e doenças. A ergonomia também impulsiona produtividade e eficiência, eliminando incertezas. Em vez de se perguntar se uma tarefa foi realizada corretamente ou se a fadiga afetou o desempenho, dados e um design cuidadoso fornecem respostas claras.
Adotar essa perspectiva de longo prazo nem sempre significa realizar reformas caras. Às vezes, ajustes simples, como reequilibrar uma linha de produção para melhor atender às necessidades dos operadores ou otimizar equipamentos existentes, podem gerar grande impacto. Atender a necessidades ergonômicas específicas — como fornecer iluminação adequada para compensar alterações de visão relacionadas à idade ou projetar ferramentas mais leves que exijam menos esforço — ajuda a reter colaboradores valiosos e promove a diversidade no chão de fábrica. Essas melhorias estratégicas não apenas reduzem o risco de perda de conhecimento devido ao envelhecimento da força de trabalho, mas também tornam os ambientes de manufatura mais inclusivos e produtivos para todos.
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Colaboração na ergonomia
Como Frida nos lembra, "Podem ser pequenas mudanças" que fazem uma grande diferença quando se trata de melhorias ergonômicas. Na Atlas Copco, a colaboração próxima com operadores e ambientes de fabricação do mundo real é fundamental. Compreender como os produtos são realmente usados, muitas vezes diferentes dos pressupostos iniciais, ajuda a garantir que as decisões de design atendam verdadeiramente às necessidades do usuário. Parte disso envolve considerar cuidadosamente como os dados são apresentados, garantindo que as informações certas cheguem à pessoa certa no momento certo sem sobrecarregá-las.
Visitas regulares aos clientes nos permitem observar o contexto completo, incluindo fatores como iluminação e ruído, que podem impactar o bem-estar do operador. Mantendo o ser humano no centro, adotamos um design centrado nas pessoas. Por exemplo, ao analisar a aplicação de um cliente, percebemos que uma bateria protótipo era grande demais para suas necessidades ergonômicas e desenvolvemos uma versão menor, melhor alinhada ao seu trabalho. Pequenas considerações como essa podem gerar grandes impactos.
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O que deve ser observado?
- Adequar a tarefa ao ser humano, não o contrário
- Use novas tecnologias para monitorar a ergonomia
- Ignorar a ergonomia pode ser caro e diminui a qualidade
- Se você odeia, automatize a tarefa